O Bolo-rei é um doce típico português que se come tradicionalmente entre o Natal e o Dia de Reis. Como já é habitual nesta quadra, todas as famílias procuram esta iguaria para compor a mesa de Natal, juntamente com outros bolos típicos.

Na fábrica da Padaria e Pastelaria Carrica, em Telões, onde laboram 16 pessoas, o trabalho “quase triplica” nesta época do ano. A confeção de bolos-rei concentra-se quase exclusivamente no mês de dezembro e por estes dias não há mãos a medir.

O bolo-rei tradicional não é o único, mas continua a ser a doçaria com mais saída nesta quadra. A ele juntam-se as variedades de escangalhado, folhado, bolo-rainha e chocolate, até porque há quem não aprecie particularmente a fruta confeitada ou cristalizada que acompanha este doce típico.

A composição do bolo-rei tradicional toda a gente conhece. Além da massa, feita com ovos e farinha, leva fruta confeitada, frutos secos (amêndoas, nozes, passas, etc.), entre outros ingredientes. Mas como nem toda a gente aprecia esta conjugação de sabores, foram surgindo ao longo dos anos variedades que já se tornaram habituais nas mesas portuguesas.

O que é doce nunca amargou

No bolo-rei “escangalhado”, por exemplo, a massa é igual à tradicional, mas em vez das frutas confeitadas leva chila (à base de abóbora) e o formato é tudo menos arredondado e uniforme, aliás, aqui a forma não interessa muito. “A massa é primeiro espalhada, depois introduzimos os ingredientes, enrolamos tudo, dividimos em unidades e fazemos uns cortes para atribuir esta forma irregular”, explicou Luís Tão, pasteleiro de serviço, que assegura que, entre os derivados de bolo-rei, o “escangalhado” é o que tem maior saída.

Além deste, são fabricados na Pastelaria Carrica outros bolos semelhantes, como o folhado, com margarina, o bolo-rainha, mais à base de frutos secos e sem fruta cristalizada, e o bolo-rei de chocolate, claro está, com pepitas de chocolate e sem chila. “Fazemos essencialmente por encomenda e alteramos um ou outro ingrediente a pedido, mas o que tem mais procura é mesmo o tradicional”, disse.

Na realidade, “todos os bolos são baseados na mesma receita, o que muda é qualidade dos ingredientes e a forma como são fabricados”, informou Carlos Machado, gerente da Carrica, que contou por que razão os seus produtos são muito procurados.

 

Mais de mil bolos-rei em poucos dias

No período de Natal, são vendidas mais de mil unidades de bolo-rei, mas não só. Também são fabricados por encomenda e para venda ao público o Tronco de Natal, a Lampreia de Ovos, o Pão-de-ló, as tortas e outras iguarias.

Para o responsável pela produção, distribuição e venda destes produtos, a época de Natal “é boa para o negócio, mas demasiado curta”. “É uma altura boa para o comércio, mas concentra-se em poucos dias. Nesta zona, é melhor o verão porque a venda de pão e bolos, que é o que produzimos, se prolonga por mais tempo. O Natal são apenas oito dias. É muito trabalho e a venda termina em muito pouco tempo”, contou.

A verdade é que, como diz o ditado, “o que é doce, nunca amargou”, e esta quadra festiva, que se prolonga para lá do dia de Reis (6 de janeiro) faz-se mais à base de açúcar, pelo menos para quem o pode consumir, nas mais variadas formas e feitios.

Edição nº 167

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