Rogério Martins – Presidente da Junta de Freguesia de Bornes de Aguiar

Encostada a poente da serra da Padrela, a sete quilómetros da sede do concelho, a freguesia de Bornes de Aguiar, indissociável da enigmática vila de Pedras Salgadas, é constituída ainda por Lagoa, Lagobom, Rebordochão, Tinhela de Cima, Tinhela de Baixo, Valugas e Vila Meã. Tem cerca de dois mil habitantes (sensos de 2011).

O presidente da Junta de Freguesia, Rogério Martins, aceitou, em 2013, um desafio de elevar Pedras Salgadas ao fulgor de outros tempos. A sede da junta de freguesia, deslocada, há anos, para as Pedras, bem como outros serviços, foi bem aceite. Mas nem por isso houve a necessidade de alterar a designação administrativa da freguesia. A freguesia de Bornes é constituída por oito aldeias e uma vila. Nunca foi colocada em causa a alteração do nome da freguesia para Pedras Salgadas. Temos que olhar à história. Antes de existir Pedras, existia Bornes. A vila termal existiu com o potencial que água desencadeou. A partir daí, década a década, deu-se maior dimensão a Pedras. As necessidades obrigaram a que os serviços fossem deslocalizados para aqui. Mas Bornes compreendeu bem e com isso nunca constituiu um problema”, esclareceu o presidente.

As freguesias de Bornes têm características e culturas muito diferentes. Existe as culturas castanheiro e da batata, a exploração pecuária, também madeiras, resinas, pastos, energia eólica, na montanha, a norte. Enquanto que outras aldeias, mais a poente, são mais soalheiras, como Rebordochão, Lagobom. “Temos, contudo, problemas transversais: o desemprego e o envelhecimento da população. Não temos uma solução imediata. Mas não podemos desistir”.

Para Rogério Martins, o futuro do concelho passa, principalmente, por este território, sem descorar, obviamente, as potencialidades do resto do concelho. “O crescimento tem que ser uniforme mas também tem que ser focalizado onde há mais potencial. Depois, com a facilidade de mobilidade, tanto faz trabalhar ou residir em Vila Pouca, como no Alvão ou em Jales. Vila Pouca e Pedras são núcleos urbanos com a função de servir outras comunidades. Quanto melhor estiverem estes núcleos, melhor estão as freguesias a volta”, explicou.

Pedras-Salgadas2

Termalismo e não só

Para Rogério Martins, Pedras Salgadas, neste momento, está carenciada de camas na vertente turística. “A história diz-nos que Pedras, nos tempos áureos, tinha mais camas que a cidade do Porto. Após o declínio do termalismo em Portugal, que foi endémico, ficamos praticamente sem hotelaria. Após a requalificação do Parque, iniciou-se uma nova fase de revitalização da vila. Contudo, após estas restruturações, o tecido económico e empresarial deve olhar de outra forma para Pedras Salgadas e não pode pensar que o Estado, ou o setor público, tem a obrigação de fazer todo o investimento”, disse.

“Precisamos de encontrar os agentes certos para potenciar o investimento. A nossa preocupação reside no dinamismo empresarial. O investimento não é uma obrigação apenas do município e da freguesia, porque não reúnem todas as condições para o fazer, mas têm o dever de procurar empresários e mostrar os créditos deste território”.

(…)

Reportagem na integra na edição nº 9 de 4 de novembro de 2014

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