CIM Alto Tâmega quer levar os melhores produtos regionais além-fronteiras

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A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Tâmega está a definir uma “estratégia de internacionalização e de abordagem a mercados com potencial para os produtos endógenos da região”, cuja apresentação decorreu no passado dia 8 de novembro, em Vila Pouca de Aguiar. O objetivo é colocar os melhores produtos da região nos mercados internacionais.

Um produto endógeno é algo que tem origem numa determinada região e que, dentro do processo de produção, adquire características especiais, transformando-o em algo único. Este produto deve, por isso, ter um valor acrescentado no mercado, trazendo mais riqueza para o território.

Este é, de resto, o entendimento de Ramiro Gonçalves, secretário executivo da CIM, que, na apresentação da estratégia de internacionalização, referiu que o objetivo é a promoção dos melhores ativos da região. “O Alto Tâmega possui um conjunto de produtos endógenos muito significativo que consideramos de muito boa qualidade, com características únicas, mas com um volume de produção pequeno. Por isso, a ideia é localizar os mercados que poderiam valorizar os nossos produtos e identificar eventuais barreiras à sua entrada. Mais do que consumo em escala, estamos à procura de mercados que consigam valorizar a excelência dos nossos produtos”, considerou.

Produtos que, agora, a CIM quer promover em mercados específicos. “Todos conhecem a carnes, o fumeiro, o mel, o azeite, a castanha, os vinhos, etc., de elevadíssimo potencial, que identificamos como sendo de excelente qualidade, mas que não são suficientemente bem pagos. Por isso é que estamos a localizar mercados que consigam valorizar estes produtos, pagando um preço ajustado”, explicou Ramiro Gonçalves, acrescentando que há depois um trabalho a desenvolver junto dos produtores, por exemplo, ao nível da embalagem e da estratégia de venda.

Alberto Machado quer mais apoios para o Alto Tâmega 

Presente na sessão, Alberto Machado, presidente da Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, realçou a necessidade de promoção dos produtos locais e colocação em mercados de maior potencial. “Só podemos evoluir se conseguirmos criar riqueza no território. Para isso, temos de colocar os nossos produtos em mercados que os valorizem. Só assim vamos conseguir. Mais riqueza para o território, significa mais capacidade de investimento e mais formação para os produtores”, referiu.

O autarca lamenta que, nos últimos quadros comunitários de apoio, nomeadamente em relação aos fundos de coesão, os territórios de menor rendimento per capita, ou seja, o Alto Tâmega, seja constantemente discriminado. “Ao longo de vários anos, Portugal recebeu milhões de euros para fundos de coesão, para diminuir a clivagem que existe entre os territórios mais pobres e os mais ricos. O que aconteceu, na prática, foi o contrário. O Alto Tâmega, por exemplo, que é o território do menos com menor rendimento por pessoa, é o território que menos fundos recebe, em detrimento de outras regiões, como o Porto. Algo tem de mudar”, considerou.

Os Municípios do Alto Tâmega defendem uma estratégia comum para internacionalizar este território que integra os concelhos de Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar. Através de organismos intermunicipais (AMAT e CIMAT), as autarquias objetivam uma estratégia de internacionalização e de abordagem a novos mercados.

O Programa de apoio à definição da estratégia de internacionalização e abordagem a mercados prioritários para os produtos endógenos da região do Alto Tâmega é uma operação apoiada pelo Programa Operacional Regional do Norte (Norte 2020).

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