O dia de ontem (11 de outubro) foi especialmente penoso para o concelho de Vila Pouca de Aguiar em matéria de incêndios. Ao todo, verificaram-se pelo menos quatro ocorrências, de dimensão considerável, que motivaram a mobilização de centenas de bombeiros, de várias corporações, entre outros agentes de Proteção Civil (GNR, Força Especial de Bombeiros, Proteção Civil Municipal, entre outros), apoiados por dezenas de viaturas e três meios aéreos.

Depois de um verão “ameno” no concelho, no que respeita a fogos florestais, as ocorrências estão a avolumar-se em outubro, um mês fortemente marcado pelos baixos níveis de humidade no solo e a precipitação quase nula. Suspeita-se, contudo, que a maioria das ocorrências tenha intervenção humana.

De referir que o período crítico do Sistema de Defesa da Floresta e a respetiva adoção de medidas e ações especiais de prevenção de incêndios florestais, que normalmente termina a 30 de setembro, foi prolongado até 15 de outubro devido às condições meteorológicas.

Dispositivo estava montado para retirar pessoas

Os fogos desta quarta-feira deflagraram na proximidade de diversas povoações (Santa Marta do Alvão, Telões, Vilela da Cabugueira, Carrazedo da Cabugueira e Freixeda), tendo ameaçado várias habitações. Uma casa não habitada foi mesmo consumida pelas chamas. Em Vilela da Cabugueira, na freguesia de Bragado, chegou a estar montado junto à Estrada Municipal um dispositivo preparado para a eventualidade de retirar populações da aldeia, com um autocarro da autarquia, ambulâncias, Proteção Civil e vários técnicos da Segurança Social Distrital.

O fogo rondou as aldeias de Vilela e Carrazedo, ameaçou casas e culturas agrícolas, mas apenas consumiu uma zona de mato e de pinhal. Foi, contudo, o suficiente para causar algum alvoroço nas localidades, com várias colunas de veículos e meios operacionais a circular, ao longo tarde, na EM 549.

Neste incêndio, que iniciou por volta das 15 horas, valeu a intervenção eficaz, além dos bombeiros no terreno e dos meios aéreos (helicópteros), do Grupo Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR e da Força Especial de Bombeiros (FEB).

Ao início da manhã desta quinta-feira, 12 de outubro, estavam ainda no local, para ações de rescaldo, cerca de 45 operacionais, apoiados por 14 viaturas.

Mil hectares de área ardida no concelho

Até ao dia 15 de setembro, tinham sido registados, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, um total de 36 incêndios, tendo ardido 960 hectares de floresta. Os quase mil hectares de área ardida foram, sobretudo, mato e pinhal. Todavia, também arderam pomares, vinhas e olivais.

O incêndio que mais preocupou a comunidade e as autoridades competentes foi o que atingiu a aldeia de Vila do Conde (Valoura). Este fogo foi responsável por mais de 700 hectares de área ardida, tendo ameaçado várias habitações e unidades industriais na localidade.

Refira-se ainda que a Proteção Civil Municipal notificou, neste ano, 70 pessoas para que procedessem a limpezas junto às respetivas habitações.

Em Vilela da Cabugueira o fogo esteve próximo das casas

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