Alpinista aguiarense em expedição na Ásia Central

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A montanha eleita pelo alpinista aguiarense foi o Khan Tengri, de 7010m de altitude, que representa o ponto mais alto do Cazaquistão. Na língua uigure (povo de origem turcomena que habita principalmente a Ásia Central) o seu nome quer dizer “Senhor dos espíritos” ou “Senhor do Céu”. Pertence a um grande sistema de cordilheiras da Ásia Central designado de Tian Shan, na região fronteiriça entre o Cazaquistão, Quirguistão e a Região Autónoma Uigur de Xinjiang, na China ocidental.

A expedição decorreu ao longo da primeira quinzena de Agosto. Como é habitual nestas andanças, há todo um trabalho de adaptação à grande altitude, que passa essencialmente por um processo chamado de aclimatação, ou seja, por alterações que o organismo sofre a nível fisiológico, devido à redução dos níveis de oxigénio. Juntam-se ainda as baixas temperaturas e o nível reduzido de humidade. Em termos práticos, um alpinista tem de obedecer a um plano de treino/ascensão, que passa por sucessivas subidas e descidas da montanha, entre os diversos acampamentos instalados em diferentes altitudes, pernoitando neles, até ao momento em que, depois de se sentir física e mentalmente preparado, decide atacar o cume.

Segundo nos relatou Rui Duarte, tudo decorreu bem até ao dia da decisão de investida ao cume. Conta-nos que se sentia aclimatado, fisicamente forte e determinado em enfrentar o colosso. Contudo, no dia “D” o mau tempo decidiu impor-se, reservando ao alpinista aguiarense um dia de neve e vento intensos, que fizeram com que abortasse o ataque ao cume. Rui Duarte ainda reservou mais dois dias para nova tentativa, mas a sorte não lhe sorriu. Nem a ele, nem a um grupo de alpinistas de Singapura que se lhe seguiu.

Entretanto, durante a estadia na montanha o alpinista aguiarense atingiu o topo do ombro de uma montanha adjacente, chamada Chapaev, ponto de passagem obrigatório para ascender ao Khan Tengri pela face norte, a uma altitude de 6150m.

Apesar de não ter alcançado o cume, Rui Duarte sublinha que a experiência conseguida não deixou de ser gratificante pelo desafio que constituiu, por aquilo que aprendeu/desenvolveu e também pela fruição do entorno que, como disse, é de cortar a respiração.

O alpinista aguiarense asseverou que faz intenções de lá regressar. Em tom jocoso, frisou que dessa vez talvez algum mecenas da terra queira ver a sua “bandeira” cravada no topo do Khan Tengri, patrocinando, assim, uma nova expedição!

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