Histórias multissensoriais incitam hábito de leitura às crianças

Data:

A Biblioteca Municipal de Vila Pouca de Aguiar foi palco de uma atividade de leitura multissensorial, protagonizada pela Animódia, com o objetivo de incentivar a leitura entre os mais novos. A atividade foi distribuída por várias sessões ao longo de uma semana, para receber os alunos de todos os estabelecimentos de ensino do pré-escolar.

A atividade iniciou no dia 19 de janeiro e prolonga-se até esta semana, com duas sessões por dia, para poder proporcionar a experiência multissensorial a todos os alunos do ensino pré-escolar, dos três aos seis anos de idade, do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar.

Para concretizar a ação, a companhia de teatro e artes performativas Animódia foi desafiada pelo Município para levar a cabo a missão de “incentivar o gosto pela leitura e valorizar a leitura no âmbito do livro infantil”, refere Paulo Gonçalves, Diretor da Biblioteca Municipal de Vila Pouca de Aguiar. Acrescenta ainda que têm tido “a experiência de que, quer seja com teatro ou com um contador de histórias, funciona melhor com as crianças e a ideia é essa, mesmo que ainda não tenham essa capacidade de leitura, o fundamental é valorizarmos a leitura do livro infantil”.

Para esta dinamização, os responsáveis pela Animódia, José Miguel Carvalho e Daniela Cardoso, selecionaram o livro “Splash!”, de Arree Chung, que se trata de uma “história de misturas coloridas e que é um livro já premiado no Reino Unido, em 2019, onde ganhou o prémio de Melhor Livro Infantil, através de crianças que votaram no livro”, explica José Miguel Carvalho, Diretor Artístico da Animódia.

Além de incentivarem a leitura, pretendem ainda que os alunos percebam que “os livros trazem mensagens que são importantes para o nosso dia-a-dia, e para o nosso crescimento a nível pessoal”, salienta. Remete ainda para a área de atuação da Animódia, “como nós somos da área de teatro, queremos mostrar-lhes um bocadinho do que é a encenação e como é que se transforma, por exemplo, um livro em peça teatral”.

Histórias multissensoriais pretendem a participação e envolvimento das crianças

Chegaram até esta fórmula para desenvolver as sensações através de histórias encenadas, uma vez que a Animódia já tem realizado esta atividade “ao longo de dois anos, com a creche do Centro Social e Paroquial Padre Sebastião Esteves e, todos os meses, desenvolvemos uma história nova. Fazemos uma sessão para pais e filhos, e outras duas sessões para os meninos que estão na creche, na sala dos traquinas e na sala panda”. A experiência permitiu-lhes desenvolver vários tipos de interatividades e “apelar aos sentidos com luzes, com fumo, e com atividades que eles vão fazendo ao longo das histórias que são sempre diferentes”.

No caso do livro “Splash!”, conta José Miguel Carvalho, “trata das cores, mas tem uma mensagem subliminar, que é a igualdade porque, apesar de haver muitas cores e muitas pessoas diferentes, no fundo são todas especiais, cada uma com as suas características, e a ideia é passar esta mensagem aos meninos do pré-escolar, das diferentes turmas do concelho”.

Por ser uma história encenada e que conta com a participação dos alunos, há um número limite para que “desenvolvam aptidões e capacidades sensoriais”. Apesar de ser um público desafiante, com idades entre os três e os seis anos, a Animódia refere já ter técnicas que os cativam porque “tal como as cores, todos os meninos são diferentes, cada com as suas características, e tentamos ao máximo chegar a cada um deles”, diz Zé Miguel, como também é conhecido. Para tal, na experiência imersiva do livro “Splash!”, utilizam “luzes de diferentes cores para associar às cores do livro, som, gestos, e temos outras sensações através de bolinhas coloridas que damos no início da atividade”.

“Nós podemos, numa história, desenvolver capacidades de artes plásticas, por exemplo, onde eles desenham e pintam. Neste caso, é mais para sentirem as sensações das cores e perceberem as diferenças das diversas cores e as misturas de entre elas. Ou seja, tal como as pessoas se misturam, as cores também se misturam e, por exemplo, o vermelho e o azul dão lilás”.

“Os meninos adoram, participam, estão atentos”

Apesar de “às vezes ser complicado” por se alterar a rotina dos alunos e poderem estar mais excitados, José Miguel Carvalho confirma que a atividade tem “corrido muito bem” e “tem sido muito gratificante porque os meninos adoram, participam, estão atentos”. Também o feedback das educadoras tem sido “muito positivo”, salienta, “o que é muito importante para nós, porque é sinal que estamos a desenvolver bem o nosso trabalho”.

A rematar, Daniela Cardoso dá conta de um ponto interessante relativo à receção dos alunos quando chegam à Biblioteca, e que a apanhou de surpresa. “Quanto eles chegam e nós perguntamos o que vieram aqui fazer, a maior parte diz ‘ver uma história’. Não dizem ouvir, porque normalmente diz-se ouvir, e nós acabamos por concordar e dizer que vieram ver, ouvir e sentir a história, porque é o nosso objetivo”, conclui.

Texto e fotos: Ângela Vermelho

Partilhar

Últimas

Artigos relacionados
Relacionado

CCDR NORTE disponibiliza formulário para declaração de prejuízos causados por tempestades

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte...

Fotojornalista aguiarense é o autor da foto da capa do anuário da agência Lusa

O fotojornalista Pedro Sarmento Costa esteve, na quinta-feira, dia...

Câmara de Vila Pouca de Aguiar aprova 22 pontos em reunião do executivo

A Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar aprovou...

Escolas reabrem em Vila Pouca de Aguiar e Montalegre

Os alunos regressaram esta quinta-feira, 29 de janeiro, às...