O Partido Socialista (PS) questionou o Governo sobre o atraso no início da construção da ponte entre Monteiros, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, e Veral, no concelho de Boticas, mais de um ano após o prazo indicado para o arranque da obra.
O Grupo Parlamentar do PS questionou a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, sobre a data prevista para o início da construção da ponte entre Monteiros e Veral, após o incumprimento do calendário anunciado.
Numa pergunta entregue na Assembleia da República, onze deputados socialistas recordam que a ponte de arame, uma travessia pedonal, ficou submersa com a construção da Barragem do Alto Tâmega, em outubro de 2023, empreendimento levado a cabo pela empresa espanhola Iberdrola.
Segundo o documento, em junho de 2023 foi acordado entre a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), autarquias, a Iberdrola e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) que a empresa energética avançaria com os procedimentos para projetar e orçamentar a reposição da ponte, tendo sido também assumidos compromissos financeiros.
Em novembro desse ano, foi apresentado um anteprojeto às populações pelos municípios de Boticas e Vila Pouca de Aguiar, mas o processo não teve seguimento. De acordo com os socialistas, “o que lhes foi transmitido é que o processo aguarda decisão da APA”.
Já no final de 2024, numa reunião que envolveu o então secretário de Estado do Ambiente, Emídio Sousa, autarcas e outras entidades, foi garantido que no início de 2025 estariam reunidas as condições para avançar com a obra ao longo do ano.
Contudo, “volvido mais de um ano, ainda não teve início a construção da ponte em apreço”, sublinham os deputados.
Perante este cenário, os socialistas querem saber se “existe alguma objeção por parte da Agência Portuguesa do Ambiente”, se “mantém a responsabilidade pela execução do projeto de reposição” atribuída à empresa Iberdrola, qual o montante de financiamento previsto e qual a nova data para o arranque da obra.
A estrutura pedonal construída no século XIX pelas populações locais para atravessar o rio Tâmega, “desempenhava um papel fundamental no quotidiano das populações locais, permitindo a circulação pedonal, o contacto entre famílias e o acesso a serviços”.
Desde o anúncio da construção da barragem do Alto Tâmega que a população luta pela travessia entre as duas localidades, assim como os autarcas dos dois concelhos, tendo sido subscritas petições e realizadas manifestações.
A ligação direta entre as duas localidades é efetuada em transporte rodoviário, um táxi gratuito disponibilizado pela Iberdrola, mas é necessário percorrer uma distância de 100 quilómetros, ida e volta por estrada, para um trajeto anteriormente feito em poucos minutos.
O Sistema Electroprodutor do Tâmega é um complexo que inclui três barragens e três centrais hidroelétricas, a de Daivões e Alto Tâmega, no rio Tâmega, e de Gouvães, no rio Torno, num investimento de mais de 1.6 milhões de euros.
Sara Esteves
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