“A minha Horta”: projeto da Santa Casa promove o contacto dos mais novos com a natureza

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A Santa Casa da Misericórdia de Vila Pouca de Aguiar (SCMVPA) está a dinamizar o projeto “A minha Horta”, uma iniciativa de desenvolvimento socioeducativo que integra a criação de uma horta, que tem como público-alvo crianças do 1º e 2º ciclos do ensino básico, do concelho de Vila Pouca de Aguiar.

O projeto é financiado pelos Prémios BPI Fundação “la Caixa” – Infância – edição 2023, contando com a parceria da Câmara Municipal e do Agrupamento de Escolas de Vila Pouca de Aguiar.

Entrevistámos o Senhor Provedor, Dr. Domingos Dias, no sentido de conhecer melhor as especificidades deste projeto.

Este projeto é baseado no método de Forest School, privilegiando a aprendizagem através do contacto com a Natureza. Quais os objetivos do projeto “A minha Horta”?

Dr. Domingos Dias: Sim, o projeto é inspirado no método Forest School para crianças, que foi criado com o intuito de oferecer experiências únicas, destacando o contato com a natureza e a aprendizagem prática, através da realização de atividades de exploração do meio natural.

No que concerne aos objetivos da iniciativa, pretende-se incentivar a perceção da natureza como um laboratório e um campo de descoberta, onde as aprendizagens, brincadeiras, aventuras e a vontade de explorar emergem de forma espontânea e natural.

Alicerçado numa intervenção psicoeducativa, o projeto visa conciliar a liberdade com a responsabilidade, através da realização de atividades estruturadas, ao ar livre, que suscitem a curiosidade e o interesse, a assunção de deveres, mas igualmente o sentido cívico e de urbanidade.

Por último, pretende-se promover o consumo de produtos hortícolas e frutícolas saudáveis, contribuindo para a melhoria dos hábitos e estilos de vida das crianças.

O contacto com ecossistemas naturais é imprescindível ao longo do ciclo vital, sendo, portanto, determinante proporcioná-lo às crianças participantes, de forma lúdica e estruturada.

A Comunidade de Vila Pouca de Aguiar também é envolvida?

Dr. Domingos Dias: Sim. O projeto é uma iniciativa que pressupõe a comparticipação da comunidade, desde logo porque incentiva as crianças a recuperar as práticas agrícolas tradicionais, mediante o contacto com os seniores que frequentam a ERPI da Santa Casa da Misericórdia. No final cada criança terá de escolher um Sénior para lhe oferecer um cabaz com produtos hortícolas. Esta estratégia suscita a comparticipação dos seniores e, por outro lado, promove a intergeracionalidade.

Haverá mais ações, dentro do projeto, que irão envolver a comunidade?

Dr. Domingos Dias: Sim. A iniciativa “Feira de Produtos Hortícolas” será dinamizada em parceria com as entidades locais, de modo a dar a conhecer à comunidade os resultados do projeto.

Também a “Sessão de Entrega de Cabazes”, por parte das crianças, aos seniores do concelho contará com a participação dos utentes da ERPI da SCMVPA, bem como de outras instituições que trabalhem com a população sénior, nomeadamente centros de dia, serviços de apoio domiciliário e lares residenciais.

As sessões de Coaching Parental integram os pais das crianças do Projeto, incentivando-os a recorrer aos fundamentos da parentalidade consciente na sua dinâmica relacional e potenciar conexões mais fortes e autênticas com as crianças. É, por si só, uma forma de envolver a comunidade, neste caso os pais das crianças.

Todas as ações do projeto têm sido divulgadas nas redes sociais e na newsletter institucional. Para além disso, têm sido produzidas diversas notas de imprensa, que contarão com a participação dos jornais locais/regionais (na sua publicação e divulgação). Trata-se, igualmente, de uma forma de despoletar a comparticipação da comunidade, contribuindo para a visibilidade e interlocução do projeto.

Considerando as boas práticas implementadas, seria pertinente criar condições que permitissem a replicação da iniciativa, noutros contextos. Acha que este projeto poderá ser replicado noutros contextos?

Dr. Domingos Dias: Acho. A equipa criará um manual digital de suporte ao Projeto, de modo a agregar toda a documentação necessária à sua implementação (ex: planos de sessão; fichas de trabalho, sugestões de atividades, instrumentos de avaliação pré e pós-teste). Esse manual servirá de base à sua implementação em diferentes contextos, salvaguardando que o seu conteúdo não é desvirtuado.

Este projeto foi desenhado pela nossa equipa pluridisciplinar, considerou diversas investigações científicas na área, pressupôs a auscultação de profissionais experientes na aplicação do método Forest School, enfim, resulta de um investimento da própria instituição. 

Pelo facto de ser um projeto de referência, beneficiou do apoio dos Prémios BPI Fundação “la Caixa” – Infância – edição 2023, o que foi imprescindível para passar «da teoria à prática».

Como Provedor da SCMVPA seria um enorme orgulho que outras instituições pudessem replicar o nosso projeto, sem nunca o desvirtuar e salvaguardando a sua identidade.

Se tivesse de caracterizar o projeto «A minha Horta» com três palavras, quais usaria?

Dr. Domingos Dias:  Natureza, Liberdade e Responsabilidade

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