Final do curso de Medicina começa com caminhada pela Estrada Nacional 2

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Aos 24 anos, Catarina Rodrigues, iniciou uma caminhada de 739 quilómetros, naquele que será, sobretudo, um percurso de autoconhecimento e de desenvolvimento pessoal. Trata-se da Estrada Nacional 2, um desafio que a jovem recém-formada em Medicina decidiu lançar a si mesma, findados os últimos anos de esforço e resiliência.

Por: Daniela Parente

Nos últimos anos, a popularidade da mítica Estrada Nacional 2 (EN2) disparou e são muito aqueles que se desafiam pelos seus 739km. Ao longo das serras transmontanas, pelas paisagens beirãs, passando pelas planícies alentejanas e terminando em Faro, com vista para o mar, esta é, sobretudo, uma viagem icónica e inesquecível.

De mota, carro, autocaravana, bicicleta, ou até mesmo a pé, são muitos aqueles que, por diversas razões, se aventuram de norte a sul do país.

É o caso de Catarina Rodrigues, natural de Sintra, que, findado o curso de Medicina “e antes de se iniciar no mundo do trabalho”, quis um desafio que se assemelhasse ou superasse àquele que está para vir.

Começou em Chaves, no dia 2 de dezembro, e a felicidade e entusiamo contagiante não escondem a vontade que a jovem caminheira de 24 anos transporta consigo, antes de atravessar onze distritos e 35 concelhos.

Desde o primeiro dia, tem deixado que a estrada a guiasse ao encontro de pessoas, localidades e histórias.

“Nos primeiros 36km, de Chaves a Vila Pouca de Aguiar, contei com o apoio de familiares de amigos, que me vão dar algum suporte até Vila Real. No entanto, já fui recebendo mensagens de outras pessoas que me têm oferecido albergue ao longo dos próximos quilómetros”, disse Catarina Rodrigues.

A caminheira, conta ainda que, no fim do primeiro dia, já tinha um passaporte, paisagens incríveis para futuramente recordar e “um sorriso enorme pela simpatia gigante de todas as pessoas” que a abordaram ao longo da viagem.

Além de não se mostrar indiferente perante a simpatia e genuinidade do povo transmontano, Catarina não escondeu que as iguarias tradicionais da região a têm deixado encantada neste início de viagem. “Já provei os famosos pastéis de Chaves e, agora, ao chegar a Vila Real, vou provar os covilhetes”.

No entanto, agora que partiu por um périplo de centenas de quilómetros, os primeiros desafios começam a surgir. O frio característico de dezembro, juntamente com as primeiras bolhas nos pés, que já denunciam o esforço físico que tem pela frente, serão os piores inimigos desta viagem.

“Antes de começar a viagem todos me disseram que o frio, sobretudo em Trás-os-Montes, me ia atrapalhar bastante. De facto, não é agradável, mas achei que ia ser pior. Agora que comecei também me disseram que a pior parte é em Castro Daire, mas só os próximos quilómetros o dirão”, confessou.

Agora, dia após dia, a futura médica, percorre Portugal – um país cheio de encantos, com a sorte de ter uma estrada que os mostra como ninguém.

Mas, além de ser uma viagem que lhe mudará os horizontes no futuro, será uma prenda de Natal antecipada. Com um passaporte completo, com os carimbos devidamente assinalados, este será o melhor presente que Catarina vai receber na véspera natalícia.

“Conto chegar a Faro no dia 23 de dezembro”, disse a caminheira, acrescentando, no tom jocoso que a caracterizava no início da viagem, que ao longo dos quilómetros “a mente vai no bacalhau que estará à mesa da consoada”.

A página da rede social Facebook “Rota N2 – Amren2” está a acompanhar o percurso de Catarina Rodrigues, que promete ter muitas histórias para partilhar nos próximos dias.

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